
CORPO SELVAGEM

Em uma tarde de sol que acolhe, ao lado da horta que crescia úmida e minuciosa, observei a vida acontecendo em toda sua magnitude, vida, morte, tudo coexistia.
Reconheci a profundeza de habitar um corpo que sente muito, que se recolhe em águas onde o chão já não se faz, e dentro dessa imensidão o selvagem dava as caras com dentes afiados e olhar de felino, soprando no peito a força da mata e logo num canto doce a força das águas.
Despertei como filha, intencionei a minha voz, é dali do profundo que o meu servir virou mel de colher, onde adoça a boca e abre passagem pro prazer chegar, a mais cheirosa flor que amolece os brutos e tira sangue dos distraídos.
Gritou minha alma, que dancemos em círculos como sempre fizemos, que cantemos as vozes da terra utilizando nossos corpos em seu instrumento e que possamos plantar as sementes dos frutos em vitalidade e potencia.
Ali vi em um lugar que acolhe a todos sem distinção, onde ninguém fica para trás. Em uma roda que girava, feita de sombra de um lado e luz de outro, e nós dançaremos tecendo os fio por um caminho do meio
habitando por fim a essência de um corpo vivo e presente,
um corpo selvagem.
Carina é dançarina desde os 5 anos e Terapeuta corporal a mais de uma década, Artista e Pesquisadora dos Mistérios
Percursora do método Corpo Selvagem para mais de 4000 mil mulheres ao redor do mundo com práticas, vivências, ritos e processos de reconexão com o corpo e Sexualidade Sagrada
Fundadora da Escola Selvagem
Peregrinou por Europa, Ásia, África e América do Sul, recolhendo saberes, símbolos e Ritos ancestrais que reconectam o ser humano à terra, ao corpo e ao invisível.
Hoje, vive em um Sítio Agroflorestal com sua família, cultivando uma vida comprometida com autonomia, terra, arte e ancestralidade.
Mãe, mulher e artista, sustenta no próprio corpo selvagem a pesquisa que compartilha com outras mulheres.

Peregrina do mar de dentro
